Conheçendo um pouco mais sobre a história de Santo Estêvão:
Nos capítulos 6 e 7 dos Atos dos Apóstolos encontramos um longo relato sobre o martírio de Estêvão, um dos sete primeiros Diáconos nomeados e ordenados pelos Apóstolos. Santo Estêvão é chamado de Protomártir, ou seja, ele foi o primeiro mártir de toda a história católica. O seu martírio ocorreu entre o ano 31 e 36 da era cristã.
Santo Estêvão pertencia a uma família judia que vivia no estrangeiro – isto é, fora da Terra Santa. Esses judeus eram chamados helenistas, pois cultivavam a cultura grega, que dominava o Império Romano. Desde cedo recebera esmerada educação na escola de Gamaliel, famoso doutor da lei. Em pouco tempo, graças à sua inteligência e aplicação, Estêvão tornou-se um entendido nas Sagradas Escrituras. Logo de início, destacou-se por seu zelo e virtude de tal modo que nos Atos dos Apóstolos Lucas no-lo descreve como "homem cheio de fé e do Espírito Santo" (At 6, 5).
Depois que o Espírito Santo desceu sobre os apóstolos (no dia de Pentecostes), a Igreja começou a crescer e a pregação incessante (contínua, sem intervalos) dos Apóstolos fazia aumentar rapidamente, e a cada dia, a multidão dos fiéis que acreditavam no Senhor. Surgiu, então um problema: os cristãos gregos reclamavam, dizendo que suas viúvas estavam sendo esquecidas na distribuição diária de ajuda (At 6, 1).
Os Doze apóstolos, então, necessitando dedicar-se à oração e ao ministério (missão) da Palavra de Deus, decidiram deixar essa função sob responsabilidade de "sete homens de boa reputação" (At 6, 3), e Estêvão foi um dos escolhidos e, imediatamente, ele se entregou ao serviço dos irmãos. Depois de consagrar estes sete homens como diáconos (ou seja, assistentes ou colaboradores), os nomearam como seus auxiliares mais próximos. Entre eles, o jovem Estevão se destacava pela sua fé inabalável e sua facilidade com as palavras. Estevão era chamado Arquidiácono, o que significa, o primeiro diácono. Muito em breve os diáconos, além de ajudar no cuidado com os pobres, começaram a participar nas orações e cerimônias religiosas.
Tudo parecia pouco para o ardoroso ímpeto daquele jovem que "cheio de graça e fortaleza, fazia grandes milagres e prodígios entre o povo" (At 6, 8). Estevão pregava a palavra de DeusSeu êxito foi muito grande e isso provocou o ódio dos fariseus, rigorosos defensores da lei de Moisés. Os inimigos de Cristo não podiam suportar por muito tempo a presença do atrevido jovem que lhes lembrava pública e continuamente a imagem do Crucificado (Jesus Cristo). Desejosos de reduzir ao silêncio pregador tão importuno, "levantaram- se para disputar com ele, mas não podiam resistir à sabedoria e ao Espírito que o inspirava" (At 6, 9-10). Enfurecidos ao verem-se impotentes, "agarraram-no e o levaram ao Grande Conselho", o Sinédrio, o supremo tribunal dos judeus (At 6, 12).
Lá, os fariseus apresentaram falsos testemunhos que asseguravam que ele ofendia a Deus e ao profeta Moisés em suas pregações. Mas ele não se acovardou: calmo e sereno, enfrentou o povo revoltado e as falsas acusações de testemunhas subornadas que lhe imputavam o crime de ter blasfemado contra Moisés e contra Deus. A alegria de poder oferecer sua vida pelo Senhor invadia-lhe a alma e refletia-se exteriormente, de modo que "todos os membros do Grande Conselho viram o seu rosto semelhante ao de um anjo" (At 6, 15).
Interrogado pelo Sumo Sacerdote, Estêvão com longo e abrasado discurso, no qual manifestou filial respeito e veneração pelos antigos patriarcas, louvou a piedade de Abraão, a paciência de José e os grandiosos feitos de Moisés; e mostrou quão injustas e infundadas eram as acusações contra ele proferidas. Depois, inflamado de santa ousadia, exclamou: "Homens de dura cerviz ("cabeças duras"), e de corações e ouvidos incircuncisos! Vós sempre resistis ao Espírito Santo! Como procederam vossos pais, assim procedeis vós também! " (At 7,51). Ouvindo isso, os membros do Tribunal ficaram cheios de indignação e cólera contra ele.
Estêvão, cheio do Espírito Santo, permanecia de pé, no meio daquela hostil assembléia. Os insultos para ele nada representavam. Pelo contrário, eram um estímulo para crer nos coros de anjos que, além das muralhas das aparentes realidades desta vida, o aguardavam com uma palma e uma coroa. Levantando os olhos para o céu, viu aparecer-lhe o próprio Jesus, refulgente de glória, sustentando-o com seu divino olhar naquele supremo instante. E exclamou cheio de gozo: "Eis que vejo os céus abertos e o Filho do Homem, de pé, à direita de Deus" (At 7, 56).
Os membros do Grande Conselho ficaram ainda mais indignados ao ouvir isto, rasgaram as vestes e taparam os ouvidos enquanto, com grandes gritos, clamavam pela morte do "blasfemador". Logo, lançaram-se contra Estevão e o arrastaram para fora da cidade. Lá chegando, começaram a apedrejá-lo. Em meio a horríveis sofrimentos, o atleta de Cristo orava: "Senhor Jesus, recebe o meu espírito" (At 7, 59).
Posto de joelhos, Estêvão percorreu uma última vez com os olhos a horda criminosa dos perseguidores. Suas vistas, já turvadas pela proximidade da morte, fixaram-se, por alguns momentos, em um jovem de Tarso que guardava os mantos dos apedrejadores. Saulo, o fanático adepto (admirador) dos fariseus, o adversário irreconciliável de Jesus Cristo, sentiu-se perturbado ante a insistência daquele olhar que o fixava com expressão severa e compassiva. E, sob uma chuva de pedras, o angelical diácono exclamou em alta voz: "'Senhor, não lhes leves em conta este pecado...' A estas palavras, expirou."(At 7,60)
Tudo estava consumado. O primeiro mártir acabava de regar com o seu próprio sangue aquela semente de santidade. O grão de trigo estava morto, jazendo por terra, caído sob os golpes de um ódio bestial e injusto. Os lábios do jovem pregador não mais se abririam para atacar, censurar, com palavras de fogo; as dedicadas mãos do diácono não mais se moveriam para batizar ou servir; sua nobre presença, insuportável para os maus e doce para os bons, não mais se faria sentir; tudo isso estava agora reduzido a um pobre corpo ensangüentado, sem vida.
Entretanto, os inimigos não festejaram com manifestações de alegria sua vitória. Ao contrário, diante da demonstração de fé e de nobreza que acabavam de presenciar, retiraram-se, procurando fugir daquele trágico espetáculo que lhes incomodava a consciência.
Assim que o Arquidiácono Estevão foi primeiro mártir de Cristo. Depois disso, teve início em Jerusalém, a grande perseguição aos cristãos. Para salvar a si mesmos, muitos tiveram de se proteger em diferentes partes da Terra Santa e em países vizinhos. E a fé cristã começou a ser disseminada em diferentes partes do Império Romano.
O sangue do mártir não foi derramado
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