sábado, agosto 8

Quem foi São Paulo?

Nascido em Tarso, importante cidade da Cilícia, na fronteira entre o Ocidente e o Oriente, Paulo era de uma família de judeus (cf. Fl 3,5).

Com as possibilidades que essa importante cidade do império romano oferecia, ele teve uma boa educação no principal ofício para os cidadãos de seu tempo que era a arte da retórica – dos discursos bem feitos.

Certamente para ele teria sido melhor permanecer neste grande centro urbano, com as propostas que ele oferecia, mas Paulo vai para Jerusalém. Lá ele se torna discípulo de Gamaliel (cf. At 22,3; 26,4) para estudar a Torá – a Sagrada Escritura dos judeus, o nosso Antigo Testamento. Para dar um passo como esse, somente um apaixonado pelo seu povo e por sua Tradição.

Do mesmo modo, podemos verificar essa intensa paixão de Paulo pela Lei de Deus nos relatos que temos de sua perseguição aos primeiros seguidores de Jesus Cristo.

É importante ressaltar que Paulo perseguiu os cristãos, não por mero capricho; mas porque, segundo suas convicções e o conhecimento profundo que ele tinha da Palavra de Deus, os cristãos estavam errados. Para ele, os cristãos desviavam os outros da fidelidade ao Deus único, propondo que um homem – Jesus – fosse o Filho de Deus e, portanto, Deus.

Por três vezes, São Lucas apresenta a conversão de Paulo, quando este judeu zeloso pela causa de seu Deus se dirigia à cidade de Damasco na Síria, com cartas de recomendação do sumo sacerdote de Jerusalém para prender os cristãos. “Saulo, por que me persegues?”: uma voz forte se faz ouvir no caminho. Envolto por uma claridade, Saulo cai do cavalo. A voz era de Jesus. Lá estava Paulo diante daquele que estava morto, que era uma mentira, uma fraude inventada por seus discípulos e que ele rejeitava com todas as suas forças.

O que foi que aconteceu com Paulo em Damasco?

Deus revelou nele seu Filho, Jesus Cristo. Paulo fez uma experiência interna da verdade de Jesus. Ele experimentou dentro dele mesmo, por graça de Deus, que Jesus existia, estava vivo e não era uma fraude. Algo muito forte aconteceu na vida de Paulo naquele momento. Ele sentiu por dentro a presença de Jesus e entregou-se.

Ali estava Jesus vivo, o Messias vindo de Nazaré, enviando-o a anunciar o Evangelho aos pagãos, os dois pontos que irritavam os judeus e o próprio Paulo. Tudo pode ter acontecido como São Lucas descreve. O importante, porém, é que Paulo fez uma experiência pessoal de Jesus. A luz no caminho de Damasco mudou o relacionamento de Paulo com Deus.

A salvação vem pela fé em Jesus Cristo e não pelas próprias obras. A conversão de Paulo não é uma conversão a partir da lista dos dez mandamentos. Ele se encontrou com Alguém, com Jesus, que mostrou o que é o amor de verdade.

Deus faz grandes coisas nas pessoas. É preciso só permitir. Isso é a fé. A conversão de Paulo é a mudança de consciência de alguém que confiava nas suas próprias forças para uma fé na gratuidade do amor de Deus. No caminho de Damasco ele se encontrou com alguém.

Ele percebeu que é incapaz de cumprir a lei. Isso leva o ser humano a assumir atitudes de hipocrisia. Contra estas atitudes de “sepulcros caiados”, Jesus reagiu muito. É a atitude do irmão mais velho do filho pródigo, que nunca teve consciência e nem experimentou a alegria de viver na casa do Pai. Estas atitudes levam ao fanatismo.

Paulo começou a matar em nome de Deus, pensando que estava fazendo o bem. Paulo experimentou que o caminho de Damasco leva à morte. Fazia o mal e não sabia. Ele estava cego. E não tinha consciência disso.

De repente, ele vê a contradição entre aquilo que ele prega e aquilo que ele faz. Ele vê que não consegue cumprir a lei. Embora a lei seja boa, ele não consegue caminhar neste caminho.

Além disso, Paulo experimentou que o homem não se salva com suas próprias forças e conhecimento. A salvação vem de Deus, e vem de graça, não por mérito.

Um comentário:

  1. Amei a perseverança no sábado passado,foi super legal.
    Beijos,Vanici

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